Trechos da crítica do espetáculo O Sapateiro

"Aos poucos, quase sem palavras, o sapateiro vai deixando clara sua paixão pelo circo ao transformar sapatos em trapezista, aramista e até mesmo no homem-bala que voa ao tiro de um canhão. Todos saem de uma mala ampliando a leitura: teria ele feito parte de uma trupe no passado? Teria sido expulso? Teria perdido o vigor físico necessário aos amantes dessa arte do risco? Seria a mala signo do desejo de fugir com o circo?Tal ato de fuga, sem dúvida um dos elementos presentes no imaginário coletivo sobre o circo, é reelaborado por Peruchi nesse solo cuja poética reside na busca por acionar a memória afetiva que cada espectador guarda sobre essa arte."

"É possível imaginar, devido ao grau de precisão já alcançado, que Peruchi venha elaborando desde esse primeiro solo um dos números de O sapateiro, a clássica luta do palhaço com um mosquito, com humor de vertente nonsense. Trata-se de uma batalha insana, que oscila da ferocidade à ternura, e permite muitas variações. Sob estímulo da arte de Peruchi, o inseto chega a se exibir em saltos mortais concretizados na imaginação do espectador. O número pode ganhar ainda sentido ampliado, uma vez que o bichinho acaba também por ser mais uma figura a preencher a solidão de Clov’s."
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Trechos da crítica do espetáculo O Sapateiro feito por Beth Néspoli jornalista que escreveu sobre teatro no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo e escreve para o Teatrojornal.


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